Aumento da gasolina irá repercutir em outros produtos, diz economista
Cotidiano 07/11/2014 17h00

Por Aline Aragão

A Petrobras divulgou os percentuais de aumento da gasolina e do diesel. A decisão de reajustar o preço dos combustíveis vem sendo discutida há alguns dias e já havia sido acertada desde a última terça-feira (4), durante reunião do Conselho de Administração da estatal, mas os valores ainda não tinham sido divulgados até ontem (6) à noite.

Com o reajuste os preços de venda nas refinarias sofrerão aumento de 3% para gasolina e de 5% para o diesel, e já estão valendo a partir de hoje (7). A estatal esclareceu ainda que os preços sobre os quais incide o reajuste anunciado não incluem os tributos: Cide, PIS/Cofins e ICMS, isso quer dizer que para consumidor o aumento será ainda maior.

Segundo o economista Luiz Moura, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o aumento do combustível custa caro para o consumidor, porque reflete em várias outros produtos, como passagens e alimentos. “Aumentando o diesel, é certo que teremos aumento em alimentos e em muitos outros produtos que dependem de transportadoras, isso porque o custo é repassado”, explicou.

Os consumidores estão insatisfeitos com aumento, a exemplo do escrevente de cartório Josimar Reis, “É um absurdo esse aumento, nós já pagamos muito caro; não dá para entender como uma empresa que se diz autossuficiente em petróleo vende para seu país o combustível mais caro do mundo”, reclamou.

Quem também reclama é o supervisor comercial Diogo Cardozo. Ele conta que gasta em média 120 litros de gasolina por mês, por conta do trabalho, e esse aumento vai mexer no bolso. “Eles estão anunciando 3%, mas quando chegar pra gente vem bem mais caro, e assim fica complicado”, disse.

O economista também questiona o aumento, no momento em que, em sua análise, a Petrobras não precisava, já que houve queda no preço do barril que é importado pela estatal. “A Petrobras não fazia reajuste há um ano, mas como os preços são livres, os postos aumentavam, em minha avaliação o aumento, mesmo que pequeno, é ruim para o consumidor, mesmo para os que não têm veículo”, disse.

Luiz Moura diz ainda que embora a diferença seja pequena de um posto para o outro, vale a pena procurar o que ofereça menor preço. “No final sai mais em conta”.

 

Foto: Chico Rollemberg

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