Aracaju é a terceira cidade mais violenta do Brasil, diz ONG
Secretaria de Segurança Pública de Sergipe discorda dos dados e aponta o que chama de equívocos na pesquisa Cotidiano 07/04/2017 13h46 - Atualizado em 07/04/2017 15h24Por Fernanda Araujo
Um levantamento de uma ONG mexicana aponta que Aracaju (SE) é a terceira cidade mais violenta entre as brasileiras e a 12a. do Brasil. O ranking foi divulgado esta semana e apontou as cidades mais violentas do mundo. A lista da ONG é baseada no número de homicídios por 100 mil habitantes e analisa municípios com mais de 300 mil habitantes.
Segundo a lista da organização Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal, o Brasil tem 19 cidades entre as 50 mais violentas do mundo, sendo o país com o maior número de cidades violentas em 2016.
Das 50 cidades da lista, segundo a ONG, 19 estão no Brasil, oito no México, sete na Venezuela, quatro nos Estados Unidos, quatro na Colômbia, três na África do Sul, duas em Honduras, uma em El Salvador, uma na Guatemala e uma na Jamaica.
Na décima posição no ranking, Natal é a cidade mais violenta do país, com 69,56 homicídios por 100 mil habitantes. O município é seguido por Belém, com 67,41 e Aracaju, com 62,76. Depois seguem Feira de Santana (15º lugar), Vitória da Conquista (16º), Campos dos Goytacazes (19º), Salvador (20º), Maceió (25º), Recife (28º), João Pessoa (29º), São Luís (33º), Fortaleza (35º), Teresina (38º), Cuiabá (39º), Goiânia (42º), Macapá (45º), Manaus (46º), Vitória (47º) e Curitiba (49º). Em relação a 2015, duas cidades brasileiras deixaram o ranking no ano passado: Porto Alegre e Campina Grande.
Segundo a ONG, os níveis de violência na América Latina não são uma surpresa e refletem a impunidade. “No Brasil, ela atinge 92% dos homicídios, na Venezuela, El Salvador e em Honduras, chega a 95%”, diz.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de Sergipe desmentiu a ONG e afirma que foi divulgada uma série de equívocos constantes na “frágil pesquisa”. Segundo a SSP, apesar do reconhecido trabalho social desenvolvido pela instituição no México, nota-se que em relação a essa publicação houve falhas graves no tocante aos números apresentados.
Conforme a SSP, os registros apontados como sendo de Aracaju, na realidade somam números de homicídios registrados em mais três municípios: Barra dos Coqueiros, São Cristóvão e Nossa Senhora do Socorro. E que os dados dos números de morte violenta apontados como sendo de 2016 correspondem de 2015 até 2014; sendo ainda que foram contabilizadas de pesquisas de fontes aleatórias.
“Isso demonstra que a ONG sequer compreende a diferença entre a capital sergipana e a região metropolitana de Aracaju. A ONG sequer conseguiu delimitar metodologicamente o período da pesquisa apresentada. Os números de homicídios não possuem origem comum, tendo como fonte de pesquisa portais de notícias aleatórios, oscilando entre fontes oficiais nacionais e sites de notícias local. Entretanto, a ONG não entrou em contato com a principal fonte dos dados apresentados, que seria a Secretaria de Segurança Pública do Estado de Sergipe. A ONG aponta equivocadamente que o site da SSP/SE está constantemente fora do ar, demonstrando a tentativa de desqualificar o trabalho da instituição. Nota-se que ‘os pesquisadores’ sequer buscaram outras ferramentas de comunicação para entrar em contato com a SSP/SE. A SSP/SE não utiliza a prerrogativa de buscar subterfúgios para maquiar dados sobre os crimes que ocorrem no estado. Ao contrário, os gestores analisam os dados em encontros semanais que cruzam as informações disponibilizadas pelo Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (Ciosp), delegacias e Instituto Médico Legal para que, por meio da análise das manchas criminais, seja possível elaborar estratégias de segurança pública para Sergipe”, diz na nota.
A SSP lembra ainda que no primeiro trimestre de 2017 houve uma redução em torno de 19,8% sobre os homicídios ocorridos em Sergipe, comparando-se os 275 homicídios deste ano, com as 343 mortes violentas em 2016, número ainda mais abaixo dos 329 em 2015. Diz ainda que o trabalho tem sido feito de forma gradual e que a Secretaria está à disposição da ONG para divulgar dados reais.
Segue lista da ONG
1. Caracas (Venezuela) – 130,35 homicídios/100 mil habitantes
2. Acapulco (México) – 113,24
3. San Pedro Sula (Honduras) – 112,09
4. Distrito Central (Honduras) – 85,09
5. Victoria (México) – 84,67
6. Maturín (Venezuela) – 84,21
7. San Salvador (El Salvador) – 83,39
8. Ciudad Guayana (Venezuela) – 82,84
9. Valencia (Venezuela) – 72,02
10. Natal (Brasil) – 69,56
11. Belém (Brasil) – 67,41
12. Aracaju (Brasil) – 62,76
13. Cape Town (África do Sul) – 60,77
14. St. Louis (EUA) – 60,37
15. Feira de Santana (Brasil) – 60,23
16. Vitória da Conquista (Brasil) – 60,10
17. Barquisimeto (Venezuela) – 59,38
18. Cumaná (Venezuela) – 59,31
19. Campos dos Goytacazes (Brasil) – 56,45
20. Salvador e RMS (Brasil) – 54,71
21. Cali (Colômbia) – 54,00
22. Tijuana (México) – 53,06
23. Guatemala (Guatemala) – 52,73
24. Culiacán (México) – 51,81
25. Maceió (Brasil) – 51,78
26. Baltimore (EUA) – 51,14
27. Mazatlán (México) – 48,75
28. Recife (Brasil) – 47,89
29. João Pessoa (Brasil) – 47,57
30. Gran Barcelona (Venezuela) – 46,86
31. Palmira (Colômbia) – 46,30
32. Kingston (Jamaica) – 45,43
33. São Luís (Brasil) – 45,41
34. New Orleans (EUA) – 45,17
35. Fortaleza (Brasil) – 44,98
36. Detroit (EUA) – 44,60
37. Juárez (México) – 43,63
38. Teresina (Brasil) – 42,84
39. Cuiabá (Brasil) – 42,61
40. Chihuahua (México) – 42,02
41. Obregón (México) – 40,95
42. Goiânia e Aparecida de Goiânia (Brasil) – 39,48
43. Nelson Mandela Bay (África do Sul) – 39,19
44. Armenia (Colômbia) – 38,54
45. Macapá (Brasil) – 38,45
46. Manaus (Brasil) – 38,25
47. Vitória (Brasil) – 37,54
48. Cúcuta (Colômbia) – 37,00
49. Curitiba (Brasil) – 34,92
50. Durban (África do Sul) – 34,43

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