Após reintegração, famílias ocupam associação na Barra dos Coqueiros
Cotidiano 20/05/2016 12h00Por Aline Aragão
Após o cumprimento do mandado de reintegração de posse nas ocupações Recanto do Park e Portal dos Ventos, no Povoado Jatobá, na Barra dos Coqueiros (SE), realizada nesta semana, cerca de 110 famílias buscaram abrigo na Associação de Moradores Recanto do Park, responsável pela administração das ocupações.
O espaço, que não é muito grande, está repleto de móveis e colchões. No local funciona uma creche e também é usado para atividade culturais e esportes para os moradores das ocupações e de todo povoado, atividades que devem ser suspensas por enquanto.
De acordo com o presidente da associação, Josivan dos Santos, mais de 400 famílias moravam na área há seis anos. Com a notificação da reintegração, a maioria se abrigou na casa de parentes, mas quem não teve para onde ir ficou na associação. “Estamos aqui largados à própria sorte, nenhum órgão público esteve aqui para olhar por nós”, reclamou.
Josevan disse ainda que as famílias conseguiram uma liminar na Justiça Federal dando o direito a morar no local, mas essa determinação não está sendo respeitada. “Observe que eles não estão demolindo nossas casas, isso porque a liminar nos protege, mas não entendo como uma determinação da Justiça Estadual pode ser superior a da Federal”, questiona.
O ouvidor do município de Barra dos Coqueiros, Edson Conceição dos Santos, disse que apenas está cumprindo a determinação da justiça, que é para tirar as famílias do local. Ele disse também que a prefeitura possui um cadastro de famílias carentes, feito através do Cadastro Único do governo federal, e que essas famílias não fazem parte dele, por isso, não têm direito ao auxílio moradia.
Sobre a liminar citada, o ouvidor afirmou que a área que é de preservação permanente, pertence ao Estado e não à União, por isso, a determinação que vale é a do Ministério Público Estadual.
As casas foram lacradas e receberam um número, a preocupação dos moradores é como vai ficar a situação depois que a polícia militar deixar o local. A dona de casa Marly Reis, disse que tem plantações e animais que precisam de cuidados diários. “Moro aqui com minha mãe, temos horta e outras plantações, também criamos galinha, vamos sair e deixar tudo aí, quem vai cuidar? Se não podia, porque deixaram a gente construir? Isso que estão fazendo é uma injustiça, investimos no local, e agora vamos perder tudo”, lamenta.
Segundo Edson, haverá fiscalização semanalmente e quem violar os lacres poderá ser penalizado judicialmente.

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