Após mais de um mês em greve, médicos voltam ao atendimento em Aracaju
Cotidiano 09/01/2017 10h49 - Atualizado em 09/01/2017 14h57

Por Fernanda Araujo e Will Rodrigues

Nesta segunda-feira (9), o atendimento nos postos de saúde de Aracaju (SE) volta à normalidade, com o retorno dos médicos ao trabalho após mais de 30 dias paralisados. Quatro mil consultas por dia deixaram de ser realizadas em dezembro passado, ou seja, mais de 120 mil no mês.

Os médicos decidiram pela suspensão da greve no último dia 6, após avanços nas negociações com o prefeito Edvaldo Nogueira.

No próximo dia 20, a PMA deve informar as datas de pagamento de salários dos meses de dezembro e janeiro, e ainda o calendário de pagamento de meses subsequentes.  No mesmo dia, a categoria irá se reunir em assembleia para definir se retoma a greve.

Apesar do retorno do atendimento, o secretário de Saúde, André Sotero, afirma que ainda falta muito para organizar toda a pasta.

“A situação que a gente encontrou realmente era prevista, mas isso vai levar ainda algum tempo, reabrir as agendas hoje foi a primeira medida para tentar regularizar a situação”, disse a F5 News, durante coletiva na Prefeitura.

Para regularizar a Saúde do Município, o secretário esclarece que somente nos próximos dias a nova gestão terá condições de agir. “Essa semana será só de levantamentos de dados porque isso foi pedido durante a transição e recebemos apenas em torno de 20% de dados; então levantar esses dados demanda tempo”, ressalta.

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, 300 mil consultas a menos foram realizadas na gestão de João Alves Filho (DEM), se comparada à gestão anterior de Edvaldo Nogueira. Calcula-se algo em torno de um milhão de procedimentos não realizados, causando desassistência à população.

Entre os principais problemas encontrados no atendimento reside na falta de medicamentos na rede básica, de acordo com Sotero. “Está em torno de 44,4% de medicamentos em falta nas unidades de urgência (as UPAs) na Zona Norte e Zona Sul e nos postos de saúde”, disse.

A secretaria tenta viabilizar com o Ministério da Saúde o retorno de alguns investimentos para as obras da maternidade do bairro 17 de Março. Conforme o secretário, a maternidade vai se concretizar e é só questão de tempo para a liberação das verbas.

Outros investimentos podem não ser possíveis, já que 25% de verbas liberadas para ampliação das unidades básicas, que daria em torno de R$ 12 milhões, foram perdidas por falta de cumprimento de prazo.

“Infelizmente várias outras reivindicações que foram feitas ao ministro é quase uma certeza que ele não poderá atender por falta de cumprimento de prazo e por outros motivos”, afirma o secretário.

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