Ambulantes reclamam de taxa cobrada pela utilização de barracas
Novo local agradou a vendedores e consumidores
Cotidiano 02/02/2016 20h51

Por Fernanda Araujo

A satisfação pela padronização da feira dos ambulantes no Centro de Aracaju (SE) parece ser unanime. Desde essa segunda-feira (1º) cerca de 400 vendedores ambulantes que ocupavam as imediações do antigo prédio do INSS foram deslocados a uma faixa da rua Sete de Setembro, que fica na lateral da Rodoviária Velha, ao lado do edifício.  A previsão é de que todos sejam realocados em até 15 dias.

A mudança, a princípio, tem agradado tanto aos comerciantes quanto aos consumidores. A falta de organização de antes nem se compara ao novo formato da feira, dizem. “A aparência ficou melhor, por enquanto está organizado”, afirma a cliente Laiana Menezes. Como prometido pela Prefeitura, as barracas estão todas padronizadas, mas faltam integrar alguns ambulantes que ainda comercializam na área do prédio. Os uniformes também ainda devem ser entregues aos vendedores.

No entanto, tem vendedor que está de bronca com a cobrança de uma taxa de R$ 10 pela banca. Os novos feirantes têm um tipo de imposto cobrado pelo Município para que possam utilizar o espaço. O vendedor de calçados Gilson Neves Nascimento (foto) trabalha na área há quatro anos e está satisfeito com as bancas, mas acha incorreto o valor de dez reais por dia, de segunda a sábado.

“Esse valor dá R$ 240 ao mês, é R$ 60 por semana. É um valor muito alto, para a gente seria melhor se fosse R$ 5 em média, que daria R$ 120 por mês. Para a gente que sobrevive desse comércio é muito alto. Vai pesar muito no meu orçamento, as vendas aqui já estão ruins há oito meses, é um desfalque no bolso. Era desorganizado, mas em compensação era 0800”, reclama.

Luana Fontes trabalha há três anos como ambulante e também está contente com a padronização, mas acredita que a cobrança vai dar prejuízos ao orçamento, o que causará o aumento nos preços de sua mercadoria. “Com certeza vai ficar mais caro, a gente tem que pagar a banca, mas precisa ter o retorno do lucro. A gente tem que aumentar a mercadoria e nem todo mundo quer comprar pelo preço que cobramos, quer mais reduzido em torno de R$ 2, se a gente for colocar R$ 5 acima ninguém quer comprar”, afirma.

Luana ressalta ainda as dificuldades de outros comerciantes da área. “Tem gente aqui que paga frete, juntando uma coisa com a outra está se tornando muito caro. Eu não pago frete porque tenho transporte próprio, mas muitos aqui não têm. Deveria ser reduzido a pelo menos R$ 7, se fosse nessa taxa estaria ótimo. Todo mundo sobrevive daqui, eu sei que é um local público e tem que ser pago, mas eles também têm que ver o lado da gente. Não sou eu que estou reclamando, todos os ambulantes aqui reclamam”, diz.

“A gente não só tem isso para pagar, tem que pagar mercadoria, frete, água, luz, comida para a família. Para tirar tudo dessa mercadoria e no mês pagar R$ 260 de banca é muito pesado. Tem que reduzir, que todo mundo pague, mas não passe necessidade. Feirante não ganha rios de dinheiro e é muita despesa. Num comércio que está em crise, às vezes tem que vender o produto abaixo do preço para não perder o produto. E a população não compra se for caro”, lamenta Izana Santana Teles, vendedora de frutas.

Os ambulantes afirmam que já fizeram a crítica a Emsurb, que ficou de verificar a situação do valor cobrado e dar a resposta até esta quarta-feira (03). F5 News entrou em contato com a Prefeitura de Aracaju, a assessoria afirma que o valor de R$ 10 por dia engloba toda a padronização das barracas, como também os uniformes. O portal também tentou ouvir a assessoria de comunicação da Emsurb, mas não obteve êxito até a publicação desta matéria.

Fotos: Fernanda Araujo/F5 News

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