Agentes penitenciários continuam realizando paralisações
Cotidiano 24/08/2015 13h00

Por Fernanda Araujo

Os agentes penitenciários continuam mobilizados em função da fuga em massa do presídio Estadual Senador Leite Neto (Preslen), em Nossa Senhora da Glória, a 126 km de Aracaju, registrada na noite de sexta-feira (21), que resultou na morte do agente Antônio Nascimento Nogueira, conhecido como “Da Lua”.

Nesta segunda (24), a categoria colocou carros em frente à garagem da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejuc) impedindo a saída dos veículos que levam os presos para as audiências. “Estamos impedindo porque os carros que levam os presos para audiência não são adequados para a segurança, o número de agentes para levar presos também não é desejável”,afirmou o presidente do sindicato, Edilson Souza.

Os agentes prometem fazer paralisações quase todos os dias, setores por setores, “até que o governo tenha a responsabilidade com a categoria”, disse Edilson. Às 15h de hoje, na Sejuc, a direção do sindicato se reúne com o secretário de Estado da Justiça, Antônio Hora, para discutir os problemas do sistema prisional. O sindicato levará ofício sobre a falta de segurança dos agentes penitenciários, o quadro efetivo, a falta de concurso público e de implantação do Plano de Cargo e Salário, a questão de fardamentos e das revistas em presídios.

“Essas revistas que estão havendo hoje são feitas sem ter a aparelhagem. A lei diz que precisa usar aparelhos para revistar no intuito de saber se a pessoa está com algo introduzido no corpo. Como diz a Justiça Judicial, não podemos fazer revista de toque porque é constrangedor, segundo os Direitos Humanos, então nós não vamos fazer”, adverte.

Edilson lembra ainda que o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), órgão criado pelo Ministério da Justiça, determina cinco detentos para um agente penitenciário. No entanto, o Copemcan, em São Cristóvão, possui cerca de 250 detentos para somente um agente; da mesma forma, em Glória que possui 400 detentos e cinco agentes de plantão, a conta dá 80 detentos para um agente.

“No Copemcan estão duas guaritas desativadas, é por isso que entram direto armas e materiais ilícitos. O governo brinca de fazer segurança pública. É dessa forma que o governo quer colocar a gente na ponta da faca? É um governo irresponsável há muito tempo. Desde 2012 que estamos colocando recomendação, avisando das tragédias que podem ocorrer. E a maior tragédia que pode ocorrer é em São Cristóvão. E se ocorrer, a culpa não é de nada mais, nada menos que do Governo do Estado”, disse o sindicalista.

Durante a fuga dos detentos de Glória, outros dois agentes também foram baleados. O agente José Lenildson Gomes da Silva, conhecido como “Marreta”, está fora de perigo e se encontra na enfermaria do Hospital de Urgência de Sergipe; e Antônio Brasiliano Costa já está em casa e passa bem.

Foto: arquivo F5 News

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