Adepol denuncia caos nas Delegacias de Sergipe
Cotidiano 25/08/2014 13h09

Por Fernanda Araujo

Ambiente insalubre, rachaduras nas paredes, infiltração, fiações elétricas danificadas, essas são alguns dos problemas visíveis nas Delegacias de Sergipe e relatados pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de Sergipe (Adepol), que apresentou à imprensa os problemas - assim como já havia feito com as precárias condições de trabalho dos policiais. 

“Fizemos um levantamento, há oito anos, fotografamos todas as unidades de polícia, naquela época as delegacias tinham sido construídas e ainda não tinham sido inauguradas, a exemplo de Simão Dias, Laranjeiras, Maruim. Depois que nós fizemos divulgação o estado inaugurou essas delegacias. É inegável que o estado melhorou muito as delegacias no interior, mas a gente critica que a quantidade de delegacia hoje que não tem condições na parte física sem falar da parte de policial é injustificável”, argumenta.

Durante a coletiva, algumas fotos e um vídeo mostraram delegacias extremamente inadequadas para o trabalho, umas de construções antigas e outras recentemente inauguradas. Até lixo em estacionamento, como a Delegacia de Grupos Vulneráveis de Nossa Senhora do Socorro (foto a esquerda), e risco de desabamento, foram denunciados. Segundo Kássio Viana, a polícia foi ‘jogada’ para trabalhar em qualquer ambiente. O delegado relata as inúmeras tentativas de agendar reunião com os órgãos do governo, via ofício, mas nunca ter sido respondido.

“Tem delegados que acumulam quatro delegacias, quando vamos ao interior algumas unidades estão trancadas porque o policial foi atender alguma ocorrência, ou então, fica na delegacia sem poder prestar serviço porque tem presos para tomar conta”, reclama.

Nas fotos tiradas da unida

de de Laranjeiras (foto principal e a esquerda), , entre junho e julho, unidade inaugurada há dois anos, já há infiltrações e mofo nas paredes. O delegado afirma que o modelo estrutural é a ideal, no entanto, a construção foi mal feita. Outras imagens mostram as delegacias de Cedro de São João (à direita), tomada por um matagal, e a de Poço Verde com estrutura inadequada.  A crítica também se refere à escolha do governo ter construído unidades em determinados municípios e não ter contemplado outras cidades de maior necessidade.

“Já que não tinha dinheiro para construir esses prédios em todos os lugares, que construísse primeiramente nos lugares onde tem mais crimes. Por exemplo, as cidades de Estância, Glória, Tobias Barreto, Propriá, não receberam esses prédios no modelo novo. Em Lagarto derrubaram a delegacia, mas deixaram a cela de pé e construíram a nova

unidade ao redor. A cela não cabe três pessoas”, diz.

Kássio Viana criticou ainda a revista “Sete anos de evolução” da Secretaria de Segurança Pública, que no vídeo é classificado como propaganda enganosa. A

revista aponta investimento do governo de R$ 100 milhões em ampliação e construção de novas delegacias, compra de viaturas e etc.

De acordo com dados apresentadas pela Adepol, foram registrados 83 homicídios em Estância, Propriá 54, Lagarto 97, totalizando 234 mortes, cidades que não receberam novas delegacias. No entanto, as cidades que receberam como Canhoba, Telha e Amparo tiveram um ou nenhum registro de homicídios. Kássio Viana também mostrou estatísticas do Ministério da Justiça informando que em São Paulo ocorrem dez homicídios para cada 100 mil habitantes, mas em Sergipe registram-se 42 para o mesmo número de habitantes. A taxa de homicídios no estado de 2007 a 2013 cresceu 40,13%.

“Passamos hoje uma situação de segurança pública muito complicada em nosso estado e a população sabe disso. E os delegados precisam mostrar que as condições de trabalho não são adequadas porque senão a responsabilidade pela criminalidade acabam sendo jogadas em nosso ombro e não é nossa. Não é de hoje que a gente reclama de falta de agente de polícia, de distribuição de efetivo, de planejamento, conversa, de meta. Isso tudo tem resultado no caos que tem a segurança pública do estado. A gente não concorda com a metodologia de trabalho porque não está surtindo efeito”.

A coletiva teve a presença do vereador Manoel Marcos, que vai oficializar um convite para que os delegados compareçam e denunciem na Câmara de Vereadores.

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