Abordagem desastrada da Polícia Civil quase termina em tragédia
Cotidiano 22/10/2014 18h15Da Redação
Uma denúncia equivocada provocou momentos de terror para duas mulheres em Aracaju (SE). Quatro agentes da Policia Civil invadiram uma residência e desferiram tiros. Uma das mulheres, policial militar fora de Sergipe, teve que gritar um código para se identificar.
O fato ocorreu na tarde da quarta-feira da semana passada. Na ação, um dos cachorros da residência foi morto após receber dois tiros. As vítimas, que não querem se identificar, relatam os momentos de pânico que viveram.
“Eu tinha acabado de almoçar quando fui ao quintal para colocar a comida dos cachorros. Daí só ouvi o barulho deles arrebentando o portão”, conta uma das vítimas. Neste momento, a irmã dela, que é policial militar, teria ido para frente da casa no intuito de ver o que estava acontecendo.
“Ela foi com a arma dela, pois o portão tinha sido arrebentado. Quando chegou à frente, tinha quatro homens encapuzados. Quando eles a viram começaram a atirar. Minha irmã gritou ‘se abaixa que é polícia aqui dentro’, mas eu só pedia para eles não atirarem”, relata.
Na ação, quatro tiros foram desferidos pelos policiais que invadiram a residência – dois em direção à moça, e dois em um cão da raça pitbull que guardava a residência e que avançou sobre eles.
“Minha irmã gritou um código para identificar que ela era policia. Só então eles pararam”, conta a vítima. Ela diz que, ao perceberem o erro, os policiais pegaram o cachorro baleado e a dona e os levaram a uma clínica veterinária. “Mas quando chegamos lá, meu cachorro não tinha resistido aos tiros e morreu”, conta a jovem.
A vítima informa ainda que, no dia seguinte, procurou uma delegacia para prestar queixa. “Fomos eu, minha irmã e minha mãe. O delegado defendeu os envolvidos, dizendo que eles eram bons policiais. Nessa hora eu preferi sair de perto, pois não aguentei”, lembra a jovem. A revolta da mãe da vítima não foi menor. “Bom policial? Entrando na casa dos outros sem mandado e dando tiros sem nada?”, questiona ela.
A mulher diz que, segundo o próprio delegado, a ação desastrada foi motivada por uma denúncia de um morador do local. “Ele teria informado que viu uma mulher em uma moto portando uma arma. Mas essa mulher é minha irmã e ela é policial”, esclarece.
O sentimento da família agora é de medo. A jovem diz que a irmã policial está com receio de retaliação. “Também estou com medo de morrer, mas acho que é preciso enfrentar porque é muita ousadia deles. Se eu não falar nada, estou assumindo que estou errada”, diz.
A mãe das meninas também teme ser alvo de nova ação violenta. “Tenho medo de polícia, pois eles não têm medo de nada e nem de ninguém. Moro há 31 anos ali. Fui para aquela casa com a minha filha mais velha em minha barriga. Pergunto-me por que fizeram isso. Uma verdadeira covardia”, lamenta.
Justificativa
Procurada pelo F5News para falar sobre o assunto, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) informou que as vítimas já foram ouvidas pelo delegado da Coordenadoria de Polícia da Capital, José Inephânio, que encaminhou o caso para a Corregedoria da Polícia Civil
Um procedimento Administrativo já teria sido aberto para investigar se a ação ocorreu mesmo e se houve abuso do poder policial. Caso seja confirmado, os responsáveis deverão ser identificados e punidos. A nota emitida pela assessoria de comunicação da SSP informa ainda que a Secretaria não compactua com nenhum comportamento dessa natureza por parte dos seus agentes, pois preza pelo respeito e compromisso para com a sociedade sergipana.

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