“A Sejuc será a extensão da Segurança”, diz Cristiano Barreto
Ao ser empossado na pasta, o delegado afirma que pretende trabalhar com serviço de inteligência e integração para diminuir problemas no sistema prisional Cotidiano 09/01/2017 16h55 - Atualizado em 09/01/2017 20h09Por Will Rodriguez
Embora tenha pela frente um sistema prisional que abriga 50% mais presos do que sua capacidade, além de um efetivo igualmente deficitário, o novo secretário da Justiça de Sergipe, delegado Cristiano Barreto, demonstra otimismo diante dos desafios impostos pela pasta.
Ao ser empossado pelo governador Jackson Barreto (PMDB) nesta segunda-feira (9), o novo gestor tomou para si a responsabilidade de enfrentar os gargalos do sistema, o que pretende fazer aliando a experiência adquirida na Divisão de Inteligência da Polícia Civil à integração entre a Sejuc e a Secretaria da Segurança Pública (SSP).
“A responsabilidade pelo insucesso será toda minha, mas este soldado em frente de batalha dará o seu melhor”, disse.
Atualmente, as nove unidades prisionais sergipanas abrigam cerca de 5.100 presos em celas construídas para receber pouco mais de 2.500 detentos ao todo. A Sejuc tem à sua disposição 540 agentes prisionais, ou seja, são quase dez presidiários para cada profissional.
“Os momentos de crise podem ser utilizados para fins de crescimento. O atual momento do sistema prisional preocupa toda população, mas a integração das secretarias de Segurança e Justiça fará a diferença para desenvolver um trabalho de Inteligência. Além disso, as pessoas que fazem parte dos quadros da Sejuc têm a capacidade e se juntarão nesse trabalho para dar mais segurança à população. Iremos manter diálogo constante com a SSP e o que for necessário para equilibrar o sistema será realizado”, disse o novo secretário.
O entendimento é corroborado pelo secretário da Segurança, delegado João Batista, que destacou a experiência de Barreto nos serviços de inteligência como fator positivo para a Sejuc.
“È fundamental que tenhamos informação diária do que ocorre dentro do sistema prisional, sob pena de termos problemas sérios, como vêm acontecendo em alguns estados”, comentou, referindo-se às ocorrências em presídios de Manaus, como a matança no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que resultou em 56 mortes.
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Ao comentar a nomeação de Cristiano, o governador também frisou o trabalho desenvolvido pelo delegado da SSP como justificativa. Jackson disse acreditar que será possível iniciar um novo tempo no sistema prisional.
“É a pessoa certa quando o sistema prisional no Brasil passa por uma crise muito grande e aqui não é diferente. Neste momento também em que o Governo Federal descontingenciou recursos e vamos poder construir um novo presídio com 500 vagas, reabrir o regime semiaberto com 500 vagas e colocar em funcionamento a nova cadeia de Areia Branca com mais 500 vagas, ou seja, desafogando o sistema”, observou Jackson.
A Hora do Trabalho
O novo secretário afirma que vai trabalhar com duas prioridades, a melhora das condições de trabalho dos agentes prisionais e o cumprimento integral da Lei de Execuções Penais.
“Vamos trabalhar para dar dignidade aos representantes da Sejuc que trabalham na atividade fim, e mais dignidade para os presos atendendo à Lei de Execuções Penais. Vou trabalhar com tolerância, o que não significa conivência”, disse Cristiano Barreto.
A indicação de Cristiano Barreto foi bem avaliada pelo Sindicato dos Agentes Prisionais (Sindipen). Durante a posse, representantes da categoria conversaram com o novo secretário e entregaram um documento contendo, além de reivindicações, sugestões para os problemas das cadeias.
“É um delegado capacitado, que tem conhecimento da área, porque o sistema prisional também é segurança. Esperamos que as irregularidades já denunciadas pelo Sindicato sejam combatidas e a segurança seja estruturada nos presídios, além da realização do concurso público o quanto antes porque estamos há 15 anos sem concurso. Queremos apresentar soluções para ajudar”, afirmou o presidente do Sindpen, Luciano Nery.
Foto: Fabiana Costa/ASN

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