"A essência do Ministério Público é investigar", diz promotor
Promotores de todo o país se manifestam contra a PEC 37 Cotidiano 06/04/2013 10h34Por Fernanda Araujo
Chamada pelos Ministérios Públicos estaduais em todo o país de "PEC da Impunidade", a Proposta de Emenda Constitucional 37/2011, de autoria do deputado e delegado federal Lourival Mendes (PTdoB/MA), tem levantado vários questionamentos e polêmicas quanto à atuação do MP em investigações criminais.
A PEC acrescenta o inciso 10 ao art. 144 da Constituição Federal para definir a competência na investigação criminal pela Polícia Civil (Estadual e Federal). Ou seja, o MP não poderá mais realizar investigações penais, atribuindo exclusividade no poder investigativo apenas à polícia. A PEC foi aprovada em dezembro por 14 votos a dois pela comissão especial, mas para ser promulgada, a emenda terá que ser aprovada em dois turnos no plenário da Câmara Federal, com pelo menos 308 votos, e depois no Senado.
Em todo o país, promotores começam na próxima semana a se mobilizar contra a PEC, que segundo eles, beneficia os criminosos e a aprovação terá efeito contrário ao combate contra a corrupção e os crimes denunciados pelo MP, prejudicando na elaboração de tais denúncias. Em Sergipe, uma comissão foi criada para combater a proposta, lançando a campanha nacional “Brasil contra a Impunidade”, no objetivo de informar a população a respeito da polêmica. A comissão é composta por membros e servidores do MP e coordenada pelos promotores de Justiça Paulo Lima e Arnaldo Sobral, este presidente da Associação Sergipana do MP (ASMP).
“Se não fosse o trabalho investigativo do MP, muitos casos importantes de desvio de dinheiro público e outros crimes graves não teriam sido descobertos. A PEC da impunidade atenta contra o Estado Democrático de Direito e vulnera os Direitos Humanos”, alertou o procurador-geral de Justiça e criador da comissão no estado, Orlando Rochadel.
Deputados também começaram a se manifestar contra a aprovação da PEC. Em Sergipe, foi o caso da deputada estadual Ana Lúcia, que escreveu no twitter: “Fiz um requerimento convidando o Dr. Arnaldo Sobral para expor na tribuna a gravidade desta PEC 37 que retira do MP o poder de investigar”.
Segundo o promotor e secretário geral do MPE em Sergipe, José Roni da Silva (foto), a PEC é uma ação de políticos incomodados com as ações do Ministério Público, desde os anos 80. Para ele, o poder de investigar é a essência do Ministério Público e acabará com a aprovação desse projeto, prejudicando exclusivamente a população. “É o MP que recebe denúncias muitas vezes da população, vamos lá e apuramos. Muitos crimes foram denunciados e investigados por causa do MP, aqui em Sergipe, por exemplo, improbidade administrativa, desvio de dinheiro público, em uma denúncia de falta de medicamentos descobriu-se que era desvio de medicamentos”, conta.
O promotor diz ainda que o MP auxilia a polícia nas investigações e pondera que, com a grande incidência de crimes no país e a enorme demanda de investigações a serem realizadas, a polícia não terá capacidade ou estrutura para gerir todas as investigações, tendo em vista também outras mais que a polícia não deu conta. Ele argumenta ainda que outros órgãos, os quais atualmente produzem várias investigações de práticas ilícitas como o Ibama, Coaf e CGU também serão atingidos, além do Poder Judiciário.
“Não se trata de percepção pretensiosa em demasia afirmar-se que as grandes causas judicializadas nesse país partem do Ministério Público que, na maioria das vezes, ou faz a totalidade das investigações ou complementa investigações advindas de outros órgãos fiscalizadores. Isto posto, conclui-se, com relativa facilidade, que ao se retirar ou limitar o poder investigatório do Ministério Público várias dessas demandas deixarão de ser levadas ao Judiciário (...). Sendo assim, perderão os magistrados a oportunidade de exercerem o seu munus em causas relevantes e que realmente interferem na “vida” da Nação, passando a julgar apenas as causas de pequena repercussão e, consequentemente, perdendo parcela da respeitabilidade e prestígio adquiridos ao longo de anos, especialmente em decorrência de decisões nos referidos casos emblemáticos, oportunizadas pelas demandas do Ministério Público”, diz o promotor Flaviano Almeida, em um artigo publicado no site do MPE de Sergipe.
Com informações da Assessoria de Comunicação do Ministério Público Estadual

Falta de acesso à habitação persiste e desafia efetivação da cidadania
Testagem ocorre a partir das 8h, na área externa da UBS Carlos Hardmam.
Os contratos terão duração de até um ano, com possibilidade de prorrogação
Homem foi flagrado pelas câmeras de segurança do Ciosp levando uma porta
Secretária Mércia Feitosa lembra necessidade de reduzir ocupação de leitos
